A Serra Leoa descobriu 70 cadáveres e 150 novos casos de Ébola durante o recolher obrigatório de três dias para ajudar a conter a propagação do vírus, que terminou no domingo, anunciaram hoje as autoridades.

A maioria dos seis milhões de habitantes da Serra Leoa esteve confinada às suas casas a partir de sexta-feira e durante 72 horas, enquanto cerca de 30.000 voluntários andaram de casa em casa a identificar os doentes e a informar sobre as medidas para prevenir a doença.

“Temos um excesso de cadáveres para enterrar, mas isso é habitual desde o início da epidemia. Agora temos pelo menos 150 novos casos”, declarou Steven Gaojia, chefe do centro de operações de emergência.

As autoridades da Serra Leoa já tinham anunciado a descoberta de 70 corpos e Gaojia precisou que os cadáveres tinham sido descobertos em Freetown e nos arredores da capital.

O ministro da Saúde, Abubakarr Fofanah, declarou à agência France Presse que os agentes envolvidos na operação conseguiram visitar 80 por cento das casas, considerando que a iniciativa foi um sucesso.

“Aprendemos muitas coisas durante esta operação (…) é possível que ela seja retomada”, disse.

Fofanah adiantou que as autoridades não podem “dar números sobre o total de cadáveres descobertos” durante a operação, pois aguardam “os resultados que devem vir de outras partes do país”.

Segundo o ministro, um dos aspectos conseguidos da operação foi a interrupção dos “enterros nocturnos”, prática seguida pelas famílias para encobrir a morte dos infectados com o vírus do Ébola.

Os habitantes da Serra Leoa retomaram hoje a sua vida normal depois da operação inédita do recolher obrigatório para lutar contra a epidemia do Ébola, que já matou 562 pessoas no país.

Mais de 2.600 pessoas morreram devido à doença desde o início do ano nos três países da África Ocidental mais afectados: Serra Leoa, Libéria e Guiné-Conacri, segundo a Organização Mundial de Saúde.

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