As negociações entre o Governo moçambicano e a Renamo voltaram a cair hoje num impasse motivado por divergências em relação ao modelo de integração dos homens armados do principal partido de oposição nas forças de defesa e segurança.

No final de mais uma ronda do processo de diálogo, a 83ª, realizada hoje em Maputo, Saimone Macuiana, chefe da delegação da Renamo, disse que o acordo de cessação de hostilidades prevê que os peritos militares de ambas as partes levem a plenário as questões relativas à integração dos homens armados da oposição nas Forças Armadas de Defesa de Moçambique e na Polícia da República de Moçambique.

“Isto significa que o que está a dizer o Governo contraria o espírito do que foi alcançado. Reitero que a alínea H refere que as equipas devem apresentar ao plenário, neste caso no diálogo, a proposta para podermos meter este modelo e permitir que o trabalho possa avançar”, afirmou Saimone Macuiana, insistindo que o que está em causa não é o número de homens a integrar mas a forma como o processo é feito.

Na ronda anterior, o chefe da delegação governamental, José Pacheco, tinha anunciado 300 vagas nas forças de defesa e segurança de Moçambique para os homens da Renamo.

No final da reunião de hoje, José Pacheco adiantou que foi entregue uma proposta ao partido de oposição justamente sobre o modelo de integração.

Este novo impasse surge numa fase em que as equipas de observação militar estrangeiras já se encontram no terreno nas províncias de Nampula, Tete, Sofala e Inhambane.

O desarmamento e integração da força da Renamo no exército e polícia e a presença de observadores internacionais para acompanhar o processo, incluindo de Portugal, resultam do acordo celebrado a 05 de Setembro pelo Presidente da República, Armando Guebuza, e o líder da oposição, Afonso Dhlakama, encerrando 17 meses de confrontações militares na região centro do país.

As rondas de diálogo entre as partes não terminaram porém com o acordo de paz e as discussões prosseguem, quer em torno da desmilitarização da Renamo quer sobre a despartidarização do Estado.

Hoje, por exemplo, o partido de oposição exigiu a extinção do chamado “G40”, um grupo de comentadores políticos alegadamente criado para defender as posições do Governo e da Frelimo através dos órgãos de comunicação social detidos pelo Estado.

Esta foi a primeira ronda negocial desde o anúncio oficial dos resultados das eleições gerais em Moçambique, na quinta-feira, e que dão vitória à Frelimo, com maioria absoluta nas legislativas, e do seu candidato presidencial, Filipe Nyusi.

A Renamo ameaça não reconhecer as eleições realizadas a 15 de Outubro alegando a ocorrência de fraudes.

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