Uma notificação do tribunal de Hong Kong a ordenar o despejo dos manifestantes pró-democracia de um dos locais de protesto que ocupam desde há sete semanas foi publicado nos principais jornais locais, autorizando as autoridades a intervir.

Apesar de em número mais reduzido, os manifestantes têm permanecido em três das principais vias de Hong Kong desde 28 de Setembro, exigindo eleições livres em 2017 na região administrativa especial chinesa.

A China recusou-se a recuar na insistência de que os candidatos devem ser avaliados por um comité, uma decisão que os críticos dizem que se destina a garantir a eleição de um fantoche pró-Pequim.

Diferentes proprietários e transportadores obtiveram esta semana dos tribunais ordens de dispersão em certos locais ocupados em Admiralty, perto da sede do poder, e em Mong Kok, na parte continental de Hong Kong.

O Superior Tribunal de Justiça permitiu que a polícia possa ajudar os oficiais de justiça na execução destas ordens de dispersão e ordenou também que cada ordem deve ser publicada na imprensa local antes de ser efectuada.

Uma notificação judicial a ordenar aos manifestantes que deixem a área de protesto de Citic Tower foi publicada no sábado em muitos diários locais, incluindo o de língua inglesa South China Morning Post.

“A autora da queixa vai tomar medidas para fazer cumprir esta ordem com a ajuda dos oficiais de justiça logo que possível”, refere a ordem sobre esta área, na fronteira com o principal local de protesto.

O anúncio, indicativo de uma repressão iminente pelas autoridades, acontece numa altura em que milhares de polícias foram colocados em estado de alerta, de acordo com órgãos de comunicação social locais.

Fonte do Governo da cidade disse na terça-feira que os oficiais de justiça de Hong Kong e a polícia estão a planear agir nos locais de protesto pró-democracia, pressionando os manifestantes a sair.

Os manifestantes estão sob enorme pressão para acabar com a resistência, porque a perturbação causada pelos seus bloqueios provocou uma crescente frustração pública.

“A desobediência civil, como a liderada por Mahatma Gandhi e Nelson Mandela, inspirou os outros por causa do seu auto-sacrifício e não porque eles usaram os meios de subsistência dos moradores como moeda de troca para pressionar o governo”, escreveu hoje o secretário das Finanças de Hong Kong, John Tsang, no seu blogue. “Os manifestantes devem parar as actividades de ocupação, ou vão perder a moral”, disse.

Vários líderes do protesto foram no sábado impedidos de embarcar num voo para Pequim, onde esperavam entregar as suas exigências de eleições livres directamente às autoridades chinesas.

A ex-colónia britânica foi devolvida à China, em 1997, sob o princípio de “um país, dois sistemas”, que promete manter os sistemas sociais e económicos da cidade até 2047.

No entanto, activistas pró-democracia dizem que as liberdades de Hong Kong têm vindo a degradar-se sob o domínio chinês.

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