Um antigo responsável da Comissão Estatal de Desenvolvimento e Reforma chinesa compareceu num tribunal no norte da China, acusado de ter recebido o equivalente a cerca de 4,5 milhões de euros em subornos. Qualquer semelhança com outros países é, ou não, mera coincidência.

Liu Tienan, ex-director da Comissão Estatal de Desenvolvimento e Reforma é o mais recente alto quadro a ser presente à justiça chinesa por corrupção, no âmbito de uma campanha anticorrupção levada a cabo pela nova liderança chinesa, encabeçada pelo secretário-geral do partido e Presidente da República, Xi Jinping.

As acusações reunidas pelo gabinete do procurador podem valer a Liu, que tinha a categoria de vice-ministro, a pena perpétua, segundo um comunicado publicado pelo tribunal de Langfang, na província de Hebei.

Na sua conta do Sina Weibo, o equivalente chinês do Twitter, o tribunal difundiu uma foto do antigo quadro do Partido Comunista Chinês, vestido de preto e de pé na sala de audiências, entre dois funcionários do tribunal.

O antigo dirigente é acusado de tirar proveito dos seus cargos para obter benefícios para os seus familiares em troca de concessões de contratos.

Os subornos, segundo o tribunal, foram concretizados sob a forma de dinheiro, presentes para o filho de Liu, incluindo uma casa em Pequim e um Porsche, entre outros, de acordo com o comunicado.

Além das funções na Comissão Estatal de Desenvolvimento e Reforma, órgão que aprova todos os grandes projectos industriais na China, Liu Tienan dirigiu igualmente a Agência nacional de Energia.

Liu Tienan foi colocado no ano passado sob inquérito judiciário por corrupção. Em maio de 2013 foi demitido de todas as funções e expulso do Partido Comunista Chinês (PCC) em Agosto.

O antigo dirigente caiu em desgraça em Dezembro de 2012, depois de a revista de negócios chinesa Caijing ter publicado uma reportagem, na qual são feitas alegações de fraude, subornos e de ameaças de morte realizadas por Lui.

Segundo a revista, Liu tirou vantagem dos cargos que ocupava para promover negócios para os membros da sua família.

A campanha anticorrupção na China, considerada a mais drástica e diversificada das últimas décadas, que já atingiu dezenas de altos quadros com estatuto ministerial, vai durar “pelo menos mais cinco anos”, anunciou no início deste mês a imprensa oficial chinesa.

A actual campanha foi lançada logo após o XVIII Congresso do Partido Comunista Chinês, em Novembro de 2012, que elegeu a nova liderança do país para a próxima década.

Para tentar recuperar o prestígio do PCC, Xi Jinping prometeu “combater tanto as moscas como os tigres”, numa alusão aos quadros dirigentes que pareciam imunes às anteriores campanhas anticorrupção.

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