As pessoas com deficiência visual dos países de língua oficial portuguesa vão passar a falar a uma só voz com a constituição da União de Cegos de Língua Portuguesa (UCLP), cuja formalização está marcada para a próxima segunda-feira.

E m declarações à agência Lusa, a presidente da Associação dos Cegos e Ambliopes de Portugal (ACAPO) lembrou que esta é uma ambição antiga da organização portuguesa e explicou que vai consistir na criação de uma organização internacional que reúna todas as associações de pessoas com deficiência visual dos países de língua oficial portuguesa.

“Haverá uma sessão solene na Assembleia da República, com um representante de cada uma das organizações de cada um dos países e, na terça, haverá a primeira assembleia constituinte desta organização”, adiantou Ana Sofia Antunes.

A responsável avançou que, para assinalar a constituição da união, irá decorrer a conferência “Cooperar em Português”, com o objectivo de “pensar em conjunto quais as perspectivas para uma futura cooperação internacional”.

“O que queremos é criar uma organização única que tenha uma voz mais forte no seio da comunidade internacional e organizar um bloco lusófono no seio da União Mundial de Cegos”, revelou a responsável.

Na opinião de Ana Sofia Antunes, as vantagens são inequívocas e passam, sobretudo por reivindicar, “a uma só voz”, questões que já vêm de longa data.

As reivindicações passam pela oficialização do código Braille português e pela uniformização desse mesmo código, bem como por procurar soluções para problemas relacionados com os direitos autorais.

Pedem, por isso, a “ratificação do Tratado de Marraquexe, que prevê obrigações para as entidades editoras e livreiras na disponibilização de soluções acessíveis nos livros publicados”.

Querem promover o intercâmbio entre os diferentes países, mas sobretudo constituir-se como “uma força maior ao nível das candidaturas a projectos de financiamento de entidades internacionais”.

“Com uma organização deste calibre temos mais oportunidade de nos candidatarmos a esses financiamentos que poderão ser fulcrais para algumas destas organizações dos países menos desenvolvidos”, apontou a presidente da ACAPO.

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