O Presidente da República de Portugal, velho amigo de José Eduardo dos Santos, felicitou hoje o seu homólogo angolano pelo Dia Nacional de Angola, sublinhando a necessidade de Portugal e Angola continuarem a fazer uso da “confiança e respeito mútuos” para desenvolverem relações mais estreitas.

Numa mensagem divulgada no site da Presidência da República, o chefe de Estado português, Aníbal Cavaco Silva, endereça “calorosas felicitações” e os “mais sinceros votos de prosperidade para o povo irmão de Angola”, destacando a importância das relações “verdadeiramente especiais” que unem aquele país a Portugal.

“O nosso relacionamento, estruturado tanto ao nível dos nossos cidadãos e empresas, como ao nível político e diplomático, tem sido reciprocamente benéfico. Importa que os nossos dois países continuem a fazer uso da confiança e respeito mútuos para desenvolver relações cada vez mais estreitas e intensas”, lê-se na mensagem de Cavaco Silva ao Presidente José Eduardo dos Santos.

Dirigindo-se ao chefe de Estado angolano como “caro amigo”, Cavaco Silva destaca os “sólidos laços de amizade e cooperação” que unem Portugal e Angola, manifestando “firme convicção” que o reforço das relações “estreitas e intensas” dos dois países “é o caminho que melhor corresponde ao interesse e ao sentimento” dos dois povos.

“Reitero junto de vossa excelência, senhor Presidente, o meu empenho pessoal no continuado aprofundamento do nosso relacionamento”, escreve ainda Cavaco Silva.

Se alguém estava à espera de ver o “homem do leme”, o político que nunca se engana e raramente tem dúvidas, dizer algumas outras verdades, bem pode esperar sentado e morrer nessa posição.

Nunca ninguém ouvirá Cavaco Silva recordar que 68% da população angolana é afectada pela pobreza, que a taxa de mortalidade infantil é a terceira mais alta do mundo, com 250 mortes por cada 1.000 crianças.

Ninguém o ouvirá recordar que apenas 38% da população angolana tem acesso a água potável e somente 44% dispõe de saneamento básico, ou que apenas um quarto da população angolana tem acesso a serviços de saúde, que, na maior parte dos casos, são de fraca qualidade. Ou que 12% dos hospitais, 11% dos centros de saúde e 85% dos postos de saúde existentes no país apresentam problemas ao nível das instalações, da falta de pessoal e de carência de medicamentos.

Ninguém o ouvirá recordar que a taxa de analfabetos é bastante elevada, especialmente entre as mulheres, uma situação é agravada pelo grande número de crianças e jovens que todos os anos ficam fora do sistema de ensino. Ou que 45% das crianças angolanas sofrerem de má nutrição crónica, sendo que uma em cada quatro (25%) morre antes de atingir os cinco anos. Ou que a dependência sócio-económica a favores, privilégios e bens, ou seja, o cabritismo, é o método utilizado pelo MPLA para amordaçar os angolanos.

Ninguém o ouvirá dizer que 80% do Produto Interno Bruto angolano é produzido por estrangeiros; que mais de 90% da riqueza nacional privada é subtraída do erário público e está concentrada em menos de 0,5% de uma população. Ou que o acesso à boa educação, aos condomínios, ao capital accionista dos bancos e das seguradoras, aos grandes negócios, às licitações dos blocos petrolíferos, está limitado a um grupo muito restrito de famílias ligadas ao regime no poder.

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