O reconhecimento de imparidades de 2,75 mil milhões de euros da exposição do BES ao BES Angola é responsável por mais de metade do valor de 4,9 mil milhões das necessidades de capital do Novo Banco.

A lém das perdas relacionadas com o BES Angola, actualmente designado por Banco Económico, o crédito malparado gerou imparidades (falta de equivalência entre dois valores) de 1,2 mil milhões de euros e a redução de valor de activos imobiliários obrigou a reconhecer imparidades de 759 milhões de euros.

Estes valores constam do comunicado emitido pelo Banco de Portugal (BdP), sobre a avaliação independente realizada aos activos, passivos, elementos extrapatrimoniais e activos sob gestão que foram transferidos do Banco Espírito Santo (BES) para o Novo Banco, na sequência da medida de resolução aplicada ao primeiro pelo Banco de Portugal no início de Agosto passado.

As imparidades derivadas do BES Angola, do crédito malparado e da sobrevalorização dos activos imobiliários ascendem a 4,7 mil milhões de euros, a “fatia de leão” das necessidades de capital identificadas para o Novo Banco logo na altura da resolução.

Os restantes 200 milhões de euros devem-se a “outros ajustamentos” que foram necessários fazer no Novo Banco, de acordo com o comunicado do BdP, relacionados, na sua grande maioria, com a revisão dos valores estimados para fundos de investimento imobiliários e fundos de capital de risco.

A estes, acrescem os reforços de imparidade para títulos sem mercado activo e/ou sem preços de mercado disponíveis e também alguns investimentos feitos em subsidiárias, bem como ajustamentos ao nível de impostos correntes e diferidos.

A avaliação foi realizada pela PricewaterhouseCoopers (PwC) entre os meses de Agosto e de Novembro, a pedido do supervisor bancário, tendo detectado necessidades de capital de 4.937 milhões de euros, em termos brutos, à data da intervenção pública no BES.

Após o efeito fiscal, estas necessidades de capital baixam para 3.725 milhões de euros e estes ajustamentos globais apurados pela PwC foram “integralmente reflectidos nos balanços de abertura do Novo Banco”, que foram hoje aprovados pela equipa de gestão do Novo Banco liderada por Eduardo Stock da Cunha, garantiu o BdP, acrescentando que isso mesmo foi “verificado pela PwC”.

Segundo o BdP, logo no momento em que a medida de resolução foi aplicada, “o apuramento das necessidades de capital do Novo Banco, no valor de 4.900 milhões de euros, teve já referência uma valorização conservadora do património transferido”.

Isto “explica o facto de os ajustamentos entretanto apurados pela PwC serem integralmente acomodáveis pelo Novo Banco”, realçou o supervisor bancário.

O trabalho desenvolvido nos últimos quatro meses pela PwC envolveu mais de 200 auditores, incluindo recursos da rede internacional da PwC, nomeadamente, de Espanha, França, Alemanha, Reino Unido, Brasil, Venezuela, Ilhas Caimão, entre outras geografias, representando “um esforço total de cerca de 30.000 horas de trabalho”, revelou o BdP.

Foram ainda envolvidos sete avaliadores especializados para efeitos da avaliação de imóveis: Cushman & Wakefield, Jones Lang LaSalle, J. Curvelo, Prime Yield, CBRE, Worx e Value Thinking, acrescentou.

A 03 de Agosto, o BdP tomou o controlo do BES, após a apresentação de prejuízos semestrais de 3,6 mil milhões de euros, e anunciou a separação da instituição em duas entidades: o chamado banco mau (um veículo que mantém o nome BES e que concentra os activos e passivos tóxicos do BES, assim como os accionistas) e o banco de transição que foi designado Novo Banco.

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