Agora é que ninguém vai parar o embaixador de Angola em Portugal, José Marcos Barrica, nem o mais que provável vencedor do Prémio Pulitzer, o Jornal de Angola.

Mesmo antes de saber que o presidente da Comissão para a Ética, Cidadania e Comunicação do Parlamento português quer criar um Prémio Nelson Mandela, já Barrica falava de “forças de bloqueio” portuguesas, que “transformam as vitórias de Angola em espaços de ataques contra o país”.

Marcos Barrica referiu-se a certos círculos de Portugal como “um campo difícil, onde alguns círculos das forças do mal pretendem denegrir a imagem de Angola”, sendo que – por exemplo – a eleição de Angola para o Conselho de Segurança das Nações Unidas “está a fazer crescer a inteligência dos adversários de Angola, sobretudo, nos meios de comunicação social, para onde vão para caluniar Angola”.

Marcos Barrica tem toda a razão. Então os deputados portugueses criam um prémio com o nome de Nelson Mandela e nem sequer se propõem construir uma estátua de José Eduardo dos Santos?

É por essas e por outras que o “querido líder” de Angola, também conhecido por “o escolhido de Deus”, está triste. O índice de bajulação de Portugal já não é o que era.

Recorde-se que, apesar disso, não há membro do governo português que se preze que não inclua Luanda no seu estratégico roteiro. Portugal – dizem alguns “velhos do Restelo” – podia viver sem Angola. Mentira. Ou por outra, poder… podia, mas não era a mesma coisa.

Já não se sabe ao certo quantos foram os bajuladores que Lisboa mandou para Luanda de mão estendida, alguns mais do que uma vez. E quem não foi não sabe o que perdeu. Não ir é, aliás, uma grave lacuna no curriculum de todos quantos ainda não foram beijar o anel do sumo pontífice. E, além disso, não faz sentido algum. Sobretudo porque a lagosta é de alta categoria e o povo que come, quando come, farelo ou mandioca até está longe dos mais luxuosos hotéis onde ficam os ilustres convidados.

Quando, no início de Maio de 2012, o agora vice-presidente da República, então ministro, disse que o investimento directo em Portugal deixou de ser uma prioridade, cabendo aos empresários privados “encontrarem oportunidades”, soaram todos os alarmes lusos, no governo e na presidência de Portugal.

Cavaco Silva, também ele um ilustre político ao serviço de sua majestade D. Eduardo dos Santos, e Passos Coelho ficaram em pânico.

E foi para, entre outros salamaleques, tentar convencer o regime angolano que ser dono de Portugal é fácil, barato e até pode dar milhões, que Lisboa para cá manda os seus ministros e similares.

Paulo Portas foi ai beija-mão e abriu logo a picada para o acordo sobre as novas regras dos vistos e uma auto-estrada para “doar” o BPN. Resultou bem.

Recorde-se que, numa das suas visitas, Pedro Passos Coelho acompanhado pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, foi recebido pelo soba maior a quem garantiu todas as facilidades nas privatizações da TAP, ANA, CTT, transportes, RTP e no que der mais jeito a Luanda.

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