Os bancos que operam em Angola vão passar a ter de disponibilizar centros de atendimento telefónico aos clientes, em português e 24 horas por dia, para poderem continuar a emitir cartões de pagamento a partir de Janeiro.

O anúncio foi feito hoje, em Luanda, pelo governador do Banco Nacional de Angola (BNA), com José de Lima Massano a recordar que das cerca de 2.000 reclamações recebidas no primeiro semestre de 2014, “trinta por cento estavam associadas à emissão e uso de cartões electrónicos de pagamento”.

Dessa constatação, disse ainda, “resultou a instrução aos bancos comerciais no sentido da criação de áreas específicas para o atendimento permanente aos clientes utilizadores de cartões”.

“Até Janeiro de 2015, as instituições financeiras que pretendam manter a emissão de cartões electrónicos de pagamento deverão possuir um “call center”, em língua portuguesa, disponível 24 horas por dia durante sete dias por semana, que permita tratar com maior oportunidade quaisquer limitações com o uso de tão importante instrumento de pagamento”, anunciou o governador.

José de Lima Massano, que falava no encerramento da apresentação da 9ª edição do estudo “Banca em análise”, da consultora Deloitte, garantiu que “na generalidade” o sistema financeiro angolano “mantém-se sólido”, apresentando uma média do rácio de solvabilidade de 22%.

“Doze pontos percentuais acima do mínimo regulamentado”, recordou José de Lima Massano mas sem fazer qualquer referência à situação do Banco Espírito Santo Angola (BESA), em intervenção pelo BNA desde Agosto, precisamente devido aos problemas com o elevado volume de crédito malparado.

Em Angola funcionam actualmente 23 bancos e 61 instituições financeiras não bancárias, com o país a apresentar, no final do primeiro semestre de 2014, uma taxa de bancarização da população adulta de 55%.

O aumento e diversificação do crédito bancário à economia – actualmente à volta de 25% do Produto Interno Bruto – é um objectivo preconizado pelo BNA para o sector.

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