O MPLA, como já noticiámos, começou o seu V Congresso Extraordinário, hoje, quinta-feira, com vista a revitalizar as suas estruturas de base. Isso diz agora o seu líder, quando ainda ontem, afirmava o contrário.

E ra o maior partido político, não de Angola, mas de África e quiçá do mundo. Que tem mais de 5 milhões de militantes, mesmo que o “quantum” inclua trabalhadores públicos sem filiação partidária e até mortos. Dado irrelevante, para a engenharia da fraude.

Tanto assim é que a nota mais significativa da abertura do conclave, exemplo de uma democracia de cariz ditatorial, foi a quase paralisação total das estruturas governamentais e do Estado.

O MPLA “obrigou” a que todo os ministros, absolutamente todos, secretários de Estado, directores nacionais e afins, comandantes de Polícias, generais das Forças Armadas, governador do Banco Central, directores dos bancos comerciais e das empresas públicas, estivessem em romaria, de joelhos, para ouvir o discurso do presidente do MPLA, que por sinal, também é, o presidente dos angolanos do… MPLA.

Um discurso bastante ovacionado, cujo tratamento será dado noutra matéria, revisitou lugares comuns numa habitual lógica repetitiva, sem novidades significativas e de relevo de âmbito nacional.

E, depois, como sempre, o “camarada” presidente que não se mistura, com a “plebe partidocrata”, retirou-se às 12h45 para o Palácio, onde um refastelado e merecido almoço o aguardava, evitando as saudações com os delegados, não fossem os das províncias fronteiriças, por exemplo, transmitir-lhe ébola ou a doença do sono.

No trajecto do Futungo de Belas II, no Morro Bento, até ao Palácio, o seu cortejo, como sempre mobilizou a paralisação total do trânsito, provocando um engarrafamento arreliador, porquanto os militares do seu exército privado – UGP (Unidade de Guarda Presidencial) – é que assumem o papel de agentes reguladores de trânsito, passando estes (Polícia de Trânsito), desarmados a meras figuras decorativas. É o caos. É o camarada Presidente do MPLA.

No período da tarde estão formadas várias comissões, decorrendo os trabalhos a porta fechada, não se esperando grandes surpresas, pese alguns delegados manifestarem a intenção de verem alterados artigos fundamentais dos estatutos, principalmente, no que tange a eleição e candidaturas para os vários níveis e órgãos de direcção.

“Eu não acredito em muitas mudanças, pois tudo vai continuar na mesma, basta ver como um congresso do partido está cheio de militares da UGP, só para proteger um militante. É verdade tratar-se do nosso camarada presidente, mas não precisa de demonstrar tanta força intimidatória, enquanto delegados, seus camaradas de partido, de podermos falar em liberdade”, disse um delegado ao F8, solicitando, por razões óbvias, o anonimato, não fosse o diabo tecê-las.

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