Isabel dos Santos e Fernando Teles compraram a posição de 25% que Américo Amorim detinha no banco BIC. Os dois empresários angolanos adquiriram ainda os 10% que a Ruasgest tinha na estrutura accionista. Esta empresa é detida por António Ruas, empresário que detém negócios, sobretudo na área dos transportes, na cidade de São Paulo, no Brasil.

De acordo com o jornal  português “Expresso”, no total foram transaccionados 35% do capital, o que permite a Isabel dos Santos e a Fernando Teles reforçar as suas posições em igual proporção. Cada um destes accionistas fica com mais 17,5% na estrutura. O negócio abrange todo o universo BIC, nomeadamente o banco em Portugal. Teles é agora dono de 37,5%, a que se junta mais 5% que tem distribuídos pelos seus administradores. Tudo somado dá 42,5%, o mesmo valor atribuível a Isabel dos Santos.

O “Expresso” garante que o negócio foi fechado na quinta-feira à noite. Com esta aquisição os dois sócios angolanos concentram o capital do banco e também o poder de decisão accionista. Ao mesmo tempo termina o mal-estar que existia desde que foi conhecida a intenção de Américo Amorim de se desfazer do capital do banco. O empresário português estaria a tentar vender a sua posição a fundos estrangeiros, o que não era bem visto nem por Fernando Teles nem por Isabel dos Santos.

Diz ainda o jornal que os accionistas do BIC querem dispersar parte do capital do banco em bolsa. Assim que a Bolsa de Luanda abrir, este poderá ser um dos primeiros títulos no mercado, cotando entre 10% a 20% do capital.

O grupo tem a sua origem no Banco BIC Angola, que nasceu em 2005 e conta com mais de 200 unidades comerciais (cerca de 120 das quais em Luanda) e quotas de mercado de 12,7% no que toca aos recursos de clientes e de 13% no que respeita ao crédito. No ano passado alcançou um resultado líquido de 201 milhões de dólares (cerca de 158 milhões de euros).

O grupo tem apostado na expansão internacional, começando por Portugal, onde está presente desde 2008 através do Banco BIC Português, com a mesma estrutura accionista. O grande salto na operação portuguesa aconteceu em 2012, quando o BIC comprou ao Estado a rede comercial do nacionalizado BPN por 40 milhões de euros. Com esta aquisição, o banco passou a contar com cerca de 200 agências, detendo também 11 gabinetes de empresas e uma direcção de banca privada. O Banco BIC português fechou o ano passado com um activo líquido de quase 5,5 mil milhões de euros, 3,2 mil milhões de crédito a clientes bruto e 3,8 mil milhões de recursos de clientes no balanço. O resultado líquido foi de 2,5 milhões de euros.

Em 2013, o BIC reforçou a sua actividade internacional com a abertura de uma instituição financeira em Cabo Verde e o acordo para a aquisição de um banco no Brasil, que na prática era a rede que o BPN tinha naquele país. Já em 2014, foi aberto um escritório de representação em Joanesburgo (África do Sul). O próximo passo é a entrada na Namíbia, onde o BIC já solicitou autorização para abrir um banco comercial.

 

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