A responsável por Angola no gabinete de estudos do BPI considera que 2015 “vai ser um ano mau” para Angola, antecipando que a manutenção dos preços baixos do petróleo “vai afectar de maneira bastante drástica as contas” do Estado.

P or outras palavras, será com certeza um ano mau para a maioria dos angolanos que, mesmo nos tempos de vacas (muito) gordas, ficaram sempre esqueléticos. Para os donos dos angolanos, que comandam o reino, a diferença não vai ser perceptível.

“2015 vai ser um ano mau para Angola, mas a grande questão é saber até que ponto o actual preço do petróleo vai manter-se ou não”, diz Luísa Felino, em declarações à Lusa, acrescentando que “se os preços se mantiverem, isso vai afectar de maneira bastante drástica as contas públicas e as contas externas”.

Para a economista que acompanha a economia de Angola no gabinete de estudos económicos e financeiros do banco português BPI, “2015 deverá ser um ano mau para Angola”, não só pela queda dos preços do petróleo, que desceram cerca de 40% desde Junho, e a consequente influência nas contas públicas e na economia, mas também porque a vontade de não deixar derrapar o défice pode atrasar os investimentos necessários para diversificar a economia e garantir as infra-estruturas.

“O défice previsto para 2015 está nos 7,6%, mas a verdade é que os défices que Angola executa são sempre melhores do que aquilo que o Governo projecta, porque não conseguem fazer a despesa prevista”, explicou a analista, argumentando que o que falta em capacidade técnica sobra em cautela do Governo, que trava nos investimentos do Estado assim que as contas públicas ficam pressionadas.

“Os projectos públicos nunca são executados na medida em que são projectados, não só porque o Governo tem medo que isso afecte as contas públicas, mas também porque há dificuldades de execução, atrasos institucionais e falta de capacidade técnica”, pormenorizou Luísa Felino, assinando por baixo da generalidade das análises internacionais relativamente aos constrangimentos de Angola no que diz respeito à qualificação da mão-de-obra e às dificuldades institucionais em fazer cumprir no terreno o que foi acordado no papel.

“O défice não ficará muito acima dos 7,6%, mas mesmo assim já é um valor considerável”, disse, explicando que não espera que o Governo “deixe as contas públicas derrapar muito, até porque tem fundos suficientes para conseguir aguentar este ano”.

Comparando com a crise de 2008, a analista argumentou que o panorama agora é diferente: “Angola está muito mais bem preparada, apesar de terem de ter cautela relativamente aos gastos”, mas ainda assim “é importante que os investimentos continuem a ir para a frente, mesmo que a um ritmo mais lento do que se tivessem políticas mais agressivas de investimentos públicos”.

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